10 perguntas para Pedro Neves, Diretor da tegUP

Quando uma startup decide abrir as portas para se apresentar ao mercado, ela se depara com os mais variados tipos de pessoas e empresas, fazendo propostas das mais escusas às mais tentadoras. Ao escolher uma aceleradora para se associar, antes de mais nada ela deve conhecer quem está se propondo a ajudá-la e porquê.  

 

Na tegUP, o propósito foi definido antes do negócio em si, olhando não a curto prazo, mas buscando startups que tenham uma visão sustentável no mercado, que busquem romper os formatos preestabelecidos com organização, estrutura e plano de crescimento.  

 

Assim começou a tegUPem seu primeiro programa de aceleração, em 2017. E, mantendo seu propósito, a empresa continua o caminho que traçou em sua segunda fase de aceleração.  

   

“Olhar para o mercado como um todo, romper modelos, valorizar quem está fazendo melhor” são alguns dos princípios que Pedro Neves, Diretor Executivo da tegUP, aponta para a empresa e aprofunda em entrevista concedida ao nosso blog. 

 

tegUP: Como e por que foi criada a tegUP? Vocês foram pioneiros?  

Pedro Neves: A ideia da tegUP surgiu quando, olhando para a área de TI da Tegma (empresa responsável pela aceleradora e uma das maiores empresas de logística do país), vimos que era necessário ter uma visão bimodal, seguindo as tendências mais recentes do mercado. Não era possível sustentar um ambiente legado, tradicional de TI, com todo seu backlog e, ao mesmo tempo, avançar nos temas inovação e transformação digital.  

 

O negócio precisa que o avanço ocorra nas duas frentesde forma a fortalecer a arquitetura base, tornando-a escalável de forma concomitante com as iniciativas de soluções digitais complementares ou disruptivas.  

 

Assim, ainda em 2016, buscamos algumas startups, como fornecedores da Tegma, e chegamos a fazer prova de conceito com uma delas, mas vimos que poderia ser algo muito infrutífero fazer isto de forma desestruturada, sem um plano de maior prazo.  

 

A partir dali, entendemos que esse movimento era necessário e fundamos um plano de aceleração, com um propósito de revolucionar a logística por meio da transformação digital.  

 

O pioneirismo em logística foi por acaso, descobrimos depois do lançamento.  

 

tegUP: Como vocês entraram nesse universo de startups? 

PN: Nós entramos como uma startup, com pensamento disruptivo, provocando o status quo da empresa, com forte patrocínio da alta direção com grande destaque para o executivo de Logística Automotiva e Marketing Lucas Schettino, que apoiou e defendeu a iniciativa desde o início e continua sendo um dos maiores parceiros e promotores da tegUP. 

 

Começamos em 2016 com planejamento e, em 2017, com o 1º programa, que teve um ano de duração. Mesmo com baixíssimo investimento em divulgação, o programa trouxe muitas startups interessantes. Foram 64 inscritas; 33 passaram para a segunda fase, 12 atingiram a fase seguinte e quatro foram premiadas. Com isso, vimos que era um programa que valia a pena ser recorrente. Em 2018, temos percebido que as startups gostaram de se aproximar da Tegma e já estamos no 2º ciclo. 

 

Também merece destaque que tivemos um grande apoio da consultoria Upaya, principalmente com a figura do Cileneu Nunes, que já atuava como mentor de startups há algum tempo. 

 

tegUP: Quais foram os principais ganhos que eles relataram?   

PN: Primeiro, conseguimos ajudar no direcionamento de alguns produtos desenvolvidos, especificamente no segmento de logística. Muitas vezes, os empreendedores têm um bom produto, bem estruturado, que precisa de pequenos ajustes para crescer 

 

Avaliamos também que nosso networking com o mercado corporativo pode facilitar o acesso das startups a uma rede de clientes amplificada e robusta. 

 

Inclusive, hoje a tegUP tem clientes que não são clientes Tegma, o que foi uma surpresa neste curto tempo de vida.  

 

tegUP: Como foi a aproximação das startups com essas empresas?       

PN: Foi surpreendentemente positiva. O interesse do mercado corporativo pela inovação é grande e criamos a figura do mantenedor para acomodar adequadamente a participação e atendimento deste cliente.  Há um mercado corporativo que quer se aproximar da inovação e busca parceiros para auxiliar nessa aproximação, principalmente em áreas específicas, como a de logística. A Gerdau, por exemplo, hoje é mantenedora da tegUP. Como mantenedora, a empresa pode receber os materiais e classificações das avaliações das startups, ser avaliador dos pitchs junto à tegUP, além de indicar seus profissionais como avaliadores. Promovemos também dias de desafio para inovação, aplicando design thinking, dentre outras metodologias para resolução de problemas.     

 

tegUP: Quais são os diferenciais da tegUP comparada às demais aceleradoras do mercado? 

PN: O foco, conhecimento e especialização em logística, a facilidade de atuar com inúmeros parceiros e a facilitação para as execuções de Provas de Conceito (POC´s) em grandes empresas têm-se demonstrado um diferencial perante outras iniciativas. Temos parceiros com bastante conhecimento em áreas diversas e que apoiam as startups. 

 

tegUP: Qual foi a percepção de vocês no primeiro ano do programa e da seleção de 2018? 

PN: Tivemos 64 startups com inscrições válidas no ano passado e, agora, em 2018, tivemos 65 startups, sendo 40 boas candidatas, com muita aderência com nosso negócio. Ou seja, atraímos as empresas que buscávamos. Não oferecemos prêmios em dinheiro, queremos atrair os empreendedores engajados, que tem paixão e acreditam no que fazem. Importante citar que, dentre as ideias que recebemos em 2017percebemos uma evolução das mesmas, quando do retorno delas, um ano depois.  

 

tegUP: E como está esse universo de startups? 

PN: São poucos os oceanos azuis. Temos muitas empresas concorrendo nos mesmos nichos (internet das coisas, tracking/monitoramento de cargas, etc.), mas muitas oportunidades. Especificamente para o mercado de logística vemos muitas possibilidades de uso de soluções apresentadas pelas startups de forma praticamente imediata nas operações em funcionamento, agilizadas pelas estruturas de Cloud e SaaS. Avaliamos que futuramente haverá uma acomodação e talvez consolidação das soluções. Mas aí, entendemos que passaremos para uma próxima camada de desafio. É um ambiente muito rico. Colaboramos com conhecimento, mas aprendemos muito nesse ambiente de teste, de erro permitido. Percebemos também uma proliferação de empresas abrindo frentes de inovação sem planejamento de proposição de valor e continuidade. 

  

tegUP: Como vocês oferecem conhecimento especializado a essas startups? Quais são as áreas dos profissionais que realizam o mentoring? 

PN: Além do nosso conhecimento em logística, contratamos especialistas para ajudar, como especialistas em marketing digital e pessoas do mercado de venture capital para falar sobre capital de risco, além de profissionais de outras verticais.    

  

tegUP: E há investimentos diretos sendo feitos para as startups escolhidas? 

PN: Analisamos com profundidade, durante três meses, as quatro empresas que selecionamos ano passado, e vimos que, nesse período, as empresas já receberam várias propostas do mercado. Já temos uma que foi selecionada para receber um aporte e estamos em processo de due diligenceVemos que estamos com um mercado aquecido para este tipo de investimento.  

 

tegUP: E qual o futuro que você vê para esse mercado? 

PN: Temos uma transformação de mercado em andamento, tanto no comportamento do consumidor, que se importa menos com a propriedade dos bens, da economia compartilhada e do uso da tecnologia aplicada, que muda completamente o status quo. Por conta disso, muitos modelos de negócios disruptivos continuarão a surgir e evoluir. Repensar o próprio modelo de negócio faz parte do processo de inovação. Não é um desafio de tecnologia pura, sabemos disso. Vemos que é um grande mercado potencial, com inúmeras possibilidades. 

 

tegUP: Qual a mensagem que deixaria para as startups? 

PN: Deixaria uma palavra de resiliência. Geralmente uma startup segue um caminho de contramão, provocação e de transposição de barreiras, mas sempre há espaço para boas ideias. 





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