Inteligência emocional na tecnologia: isso é possível?

Por: tegUP, aceleradora de startups. 

 

No mercado corporativo, há alguns anos se estuda o comportamento humano como fator intrínseco do sucesso. A inteligência emocional passou a ser vista de igual para igual com as demais inteligências e não se tolera mais líderes que não tenham empatia ou que não saibam lidar com pessoas. 

 

Se antes essa exigência só crescia, agora ela também começa a aparecer na construção de robôs e sistemas que utilizam a inteligência artificial. 

 

No artigo publicado pela Delloite, “Exponential technology watch listInnovation opportunities on the horizon”, o nível mais alto das AGI (Inteligência Artificial Geral) está justamente no reconhecimento das emoções humanas. Ao se juntar aprendizagem de máquina (machine learning) a softwares de reconhecimento de emoções, os robôs já se comparam aos humanos em suas habilidades de decifrar o estado emocional de uma pessoa baseado em seu tom de voz e expressões faciais.   

   

O estudo publicado pela Delloite também defende que essa evolução para o reconhecimento emocional, embora bastante complexa, pode ser em breve utilizada combinada com as demais inteligências artificiais já estudadas. O grande ganho acontece combinando e compondo essas inteligências artificiais com robôs que cruzem as informações que a pessoa fala com a emoção em que ela as apresenta para entender seu verdadeiro sentido, por exemplo. Assim se formam soluções completas que passam por todos os fatores da inteligência humana, incluindo a abstração.  

 

Essa mudança no comportamento dos robôs também altera a relação homem-máquina, com os robôs (que podem ser simplesmente pequenos dispositivos da casa ou, num futuro, réplicas de pessoas) auxiliando efetivamente o dia a dia dos humanos e conquistando um espaço que hoje é de interação com nossos amigos, família e colegas de trabalho.   

 

Com a interpretação semântica das emoções, chamada Affective Computingos robôs podem, por exemplo, entender exatamente como você se sente dependendo das suas expressões faciais e do seu tom de voz. Assim, enquanto para uma psicóloga pode ser difícil entender o nível de tristeza de um paciente, um robô psicólogo pode entender exatamente qual é seu padrão de emoções e descrever como você se sente.    

 

A apresentação “Designing Emotionally Intelligent Machines”, de Sophie Kleber, diretora de inovações da Huge, reportada por Vinícius Sanfilippo em um artigo, mostra um estudo com pessoas que já têm um contato diferenciado com tecnologias que propiciam uma maior interação, como Amazon Echo e Google Home e o impacto efetivo na vida dessas pessoas. Entre as mudanças principais estão os hábitos de consumopor exemplo, fazendo compras pela internet com bots que tratam o cliente de forma especial e afetivae na socialização, já que o relacionamento com a máquina pode substituir muitos dos relacionamentos reais – seja para lazer, seja para trabalhar e consumir. 

 

Os estudos estão avançando com sistemas que identificam microexpressões através de reconhecimento facial, de voz e de biometria. Imagine um entregador robô que consegue dialogar com você e entender como se sente. E um robô colega de trabalho que resolve todas as tarefas mais difíceis que tenha no dia, buscando informação na web muito mais rápido que nós humanos e ainda sendo capaz de repassar esse conhecimento do jeito que você assimila melhor e como poucos profissionais fariam. 

 

No mundo dos games, a inteligência emocional também é uma realidade. Alguns dos jogos mencionados como exemplo são Gone Home, The Last of Us e The Walking Dead, que já exigem do jogador mais inteligência emocional para lidar com os avatares que ação ou combate. Outros estão sendo desenvolvidos para oferecerem aos jogadores praticamente uma vida paralela. Assim, não importa mais o desenvolvimento do personagem do jogo, mas sim as escolhas que são dados ao jogadorpois é ele mesmo quem constrói um personagem que pensa e se emociona como você.  

 

A discussão sobre o relacionamento emocional homem-robô, além do grande potencial de crescimento, ainda tem questões éticas a serem discutidas. Se decisões de robôs geram um dano a um humano, quem responde por isso? Eles poderão usar nossas emoções para nos manipular? Vender mais? Substituir relacionamentos reais? 

 

De uma maneira ou de outra, é realmente importante corrermos atrás de aprender a conhecer nossas emoções e como agimos, buscando inteligência emocional – seja para lidar melhor com as pessoas ao nosso redor, seja para não nos tornarmos, no futuro, simplesmente uma peça manipulável dos robôs. 

 

 

Sobre o Autor 

tegUP é uma aceleradora de startups e braço de inovação aberta da Tegma Gestão Logística. A aceleradora apoia startups e empresas de tecnologia transformadoras que ofereçam produtos, serviços e tecnologia relacionados ao universo da Logística, apresentem alto potencial de evolução e necessitem de algum tipo de suporte para acelerar seu crescimento. As inscrições para o segundo ciclo estão abertas. Participe! 

 

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