Propósito: como empreendedores estão colocando seus sonhos em prática e lucrando com isso

Por: tegUP, aceleradora de startups. 

 

 

O valor investido no último ano em venture capital cresceu 207%, atingindo US$ 860 bilhões. Hoje estima-se que o Brasil tenha mais de 10 mil startups. Mas quantas delas você acha que foram abertas com um propósito claro? Quantas vão além do pensamento de lucro rápido para venda? E quantas realmente vão se tornar negócios lucrativos e sustentáveis daqui 10 anos? 

 

Ao mesmo tempo em que o mercado de startups infla, inflam também os casos de insucesso: empresas com discursos que não se aplicam à prática, com números que não se comprovam e com uma visão de ganho em curto prazo que pode até enganar à primeira vista e empurrar a empresa para dar alguns passosmas não se sustenta por muito tempo e nunca a tornará um unicórnio. 

 

Para lidar com essa volatilidade do mercado, tanto empreendedor quanto investidor estão buscando conhecer a história de fundação das empresas. Por que ela foi estruturada? Como é a cabeça do dono? O que ela realmente oferece de valor sustentável para o mercado atual? 

 

Responder a essas perguntas é uma boa forma de definir um propósito para uma empresa. É descobrir o que você iráagregarcom seu negócioe não o dinheiro, a fama ou o status que ele irá gerar. Muitos dizem que é entender o que você vai entregar ao mercado e não o que você vai esperar dele. 

 

A definição de um propósito não é simples, mas para alguns empreendedores ela surge de maneira quase natural, do espírito de empreender para ver coisas melhores acontecendo e da visão de que empreender parte da resolução de problemas. Assim, vê-se um número grande de empresas que, mais que negócios, se propõem a realmente entregar soluções de problemas atuais para toda a comunidade onde estão inseridas – tendo o lucro como uma consequência imediata dessa entrega, e não como uma causa.    

 

O propósito pode estar em várias frentes e podemos enumerar algumas delas, como: 

 

– Melhora da qualidade de vida que um produto ou serviço irá oferecer: mesmo em um negócio B2B, pode-se desdobrar qual o benefício na ponta dessa cadeia. O que o serviço ou produto reduzirá de tempo ou dinheiro do consumidor e como isso se traduz em mais tempo e recursos para esse consumidor (ou para o trabalhador que faz parte dessa cadeia produtiva) buscar atividades de lazer, saúde e bem-estar; 

 

– Novos meios em vez de novos fins: muitas startups revolucionam – por meio da tecnologia, da logística ou da inovação – cadeias produtivas de ponta a ponta, oferecendo novas perspectivas para setores antes em crise, defasados ou com produção com uso excessivo de recursos naturais. Esses propósitos dizem respeito não ao serviço/produto oferecido, mas sim a como produzi-lo. Por exemplo, empresas que se transformaram em símbolos de extração consciente de recursos naturais, de respeito ao colaborador e ao cliente final ou de consciência do impacto social que podem gerar, simplesmente pela maneira com que o modelo de negócios é estruturado; 

 

– Inovação como base de mudança social: não é rara uma pequena inovação mudar uma situação negativa no mundo e impactar um número grande de pessoas. Por exemplo, quando falamos de smart cities (cidades inteligentes), estamos considerando uma série de inovações que dialogam entre si e que foram desenvolvidas de uma forma aberta, para interagir com outras tecnologias. Juntas beneficiam a qualidade de vida de cidades inteiras, com menos trânsito, menos poluição, menos stress, mais conforto e saúde. Cada app que compõe uma smart city, ou cada pequena parte de inovação tecnológica inserida nesse contexto, terá um impacto de grandes proporções em conjunto com outras tecnologias; 

 

– Defesa de causas: as causas podem ser variadas, tanto em suas temáticas quanto em relação ao público-alvo delas. Grande parte das vezes, o foco da causa não é nem mesmo o cliente, mas sim uma causa em que seu cliente se mobilize também para apoiar ou que fará com que o veja com outros olhos. Por exemplo, a diversidade na contratação de funcionários, escolha por processos limpos que não poluam o meio ambiente, o empoderamento feminino dentro da empresa, o uso de matérias-primas sustentáveis e até mesmo o respeito aos clientes e fornecedores como ponto central de seu serviço.      

  

E se o propósito está presente de forma clara no negócio, ele também estará presente em seu crescimento e na escolha do investidor. No início do ano, por exemplo, Larry FinkCEO da BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, divulgou uma carta aberta ao mercado em que convidava CEOs de todo o mundo a prestarem mais atenção na sustentabilidade de seus negócios. Fink dizia na carta, intitulada sense of purpose (Um senso de propósito), que os investidores estão buscando atingir suas metas, mas com empresas guiadas pelo crescimento de longo prazo. 

 

“A sociedade está demandando que companhias, sejam públicas ou privadas, sirvam a um propósito social. Para prosperar através do tempo, toda companhia deveria não apenas entregar uma boa performance financeira, mas mostrar como isso gera uma contribuição positiva para a sociedade. Companhias deveriam beneficiar todos os seus stakeholders, incluindo acionistas, empregados, clientes e as comunidades onde estão inseridas”, reforça Fink em sua carta. 

 

A COO para América Latina da BlackRock, Karina Saade, também já esteve no Brasil e declarou, ao participar do Fórum Econômico Mundial, que pesquisas feitas pela gestora de recursos mostram que empresas com propósito claro têm uma vantagem competitiva, tanto para atrair os melhores talentos e retê-los quanto para alinhar a estratégia de longo prazo entre a gerência da companhia e os acionistas. 

 

Quando se trata de startups, o propósito pode ser o ponto inicial de uma longa jornada de sucesso. 

 

 

Sobre o Autor 

tegUP é uma aceleradora de startups e braço de inovação aberta da Tegma Gestão Logística. A aceleradora apoia startups e empresas de tecnologia transformadoras que ofereçam produtos, serviços e tecnologia relacionados ao universo da Logística, apresentem alto potencial de evolução e necessitem de algum tipo de suporte para acelerar seu crescimento.  

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