Sustentabilidade e acessibilidade ainda são grandes desafios para a mobilidade urbana

Um dos significados de mobilidade no dicionário é “possibilidade de ir para outro lugar rapidamente”. E é justamente isso que prega o conceito: mover-se com praticidade e fluidez. 

Hoje, não somente ônibus, trens, metrôs e veículos particulares fazem parte da rotina de mobilidade urbana nas grandes cidades. 

É cada vez mais comum encontrarmos bicicletas, patinetes e hoverboards elétricos percorrendo as ruas das capitais metropolitanas, levando as pessoas para o trabalho, faculdade e momentos de lazer.  

Dentro de alguns anos será comum pedirmos um Uber e recebermos um veículo autônomo, sem motorista. 

Mas, em meio a tantas inovações, em que patamar estamos quando falamos em sustentabilidade? 

Alguns países estão bastante avançados no sentido da descarbonização do transporte. Na Alemanha, o Bundestag (parlamento da República Federal da Alemanha, que participa da formulação de leis) votou, no início de 2018, pela proibição de veículos movidos a combustão interna no país. A medida prevê a adoção exclusiva de motores elétricos até 2030.  

Já o Reino Unido prevê retirar todos os carros movidos a gasolina e diesel das ruas até 2050. 

O Brasil, no entanto, parece não seguir o mesmo caminho. Dados do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), referentes a 2016, indicam um aumento de 4% no consumo de gasolina em veículos leves, enquanto o etanol caiu 10% na comparação com o ano anterior. E o total de emissões de CO² pelos sistemas de transporte de cargas e de passageiros aumentou quase 40% nos últimos dez anos. 

Há ainda os impactos da Medida Provisória 795, que dá incentivos fiscais a companhias petrolíferas e concede várias isenções de impostos até 2040 a empresas que atuam na exploração e produção de petróleo. 

Além da sustentabilidade, para comportar tantos meios de transporte alternativos, as cidades precisam se replanejar para se tornarem mais acessíveis para manter a segurança dos transeuntes e a fluidez da mobilidade. 

Sancionada em janeiro de 2012, a Lei 12.587/2012 instituiu a nova Política Nacional de Mobilidade Urbana (PNMU) no Brasil e estabeleceu diretrizes e princípios para que os municípios planejassem o desenvolvimento urbano e a melhoria de serviços e infraestruturas, garantindo assim o melhor deslocamento de cidadãos e cargas. 

A lei priorizava o transporte coletivo, público e não motorizado, em detrimento do particular, individual e motorizado.  

Na época, a legislação gerou um impacto positivo e colocou o tema em discussão na imprensa geral. Mas, o prazo para as mudanças acontecerem terminou em abril de 2015, e apenas 5% das cidades brasileiras haviam concluído seus planos de melhorias na mobilidade. 

Mas nem tudo é desanimador.  

Conhecida como a “capital verde” desde os anos 90, Curitiba dá um exemplo de ações de mobilidade urbana sustentável no Brasil. A capital paranaense recebeu, em 2016, menção honrosa no prêmio Sustainable Transport Award (STA), do Institute for Transportation and Development Policy (ITDP), por suas iniciativas de compartilhamento de bicicletas, pela atenção dada a passageiros com deficiência e pelos semáforos inteligentes, que ampliam o tempo de travessia para pedestres com mobilidade reduzida. 

O Rio de Janeiro também entra para a lista de cidades brasileiras que investiram em mobilidade e sustentabilidade. Dados de 2016 apontam que o transporte sobre trilhos carioca, com apenas seis meses de operação, economizou 62t de CO² por meio da compra de energia oriunda de fontes renováveis. Transportando 60 mil pessoas por dia útil, o meio de transporte tirou cerca de 40 mil carros das ruas, e causou redução de 4,8 toneladas/km de CO² emitidas por dia. 

Em um cenário mais otimista, vemos algumas startups que trabalham exclusivamente para criar soluções urbanas que propõe melhorar a vida nas cidades, como a Urb-i, que realiza projetos e consultoria de mobilidade urbana. 

O trabalho dessa startup se baseia na transformação dos espaços públicos para facilitar a vida dos pedestres, e isso inclui alargamento de calçadas, aterramento da fiação, adequação da drenagem e criação de faixas de travessia estratégicas. 

Como vimos, os desafios para a melhoria da mobilidade urbana ainda são diversos e as soluções caminham a passos lentos. Porém, ao que tudo indica, com o crescente número de startups atuando neste segmento, a tendência é que este cenário evolua nos próximos anos. 

Sobre o Autor   

A tegUP é uma aceleradora de startups e braço de inovação aberta da Tegma Gestão Logística. A aceleradora apoia startups e empresas de tecnologia transformadoras que ofereçam produtos, serviços e tecnologia relacionados ao universo da Logística, apresentem alto potencial de evolução e necessitem de algum tipo de suporte para acelerar seu crescimento.  

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